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Conversas P'ra Mesa com Ana Rita Sousa

Guia Básico para a Diversificação Alimentar


Quem é a Ana Rita?


Ana Rita Sousa, 26 anos, natural de Ponta Delgada. Aos 18 anos mudei-me para o Porto para estudar Ciências da Nutrição e aqui fiquei até aos dias de hoje. Comecei a minha prática profissional na área da Saúde Pública, mas depressa percebi que a minha paixão era mesmo trabalhar com bebés e crianças e mudei completamente de rumo. Atualmente atuo apenas na área da pediatria.




Quando deve começar a diversificação alimentar do bebé?


Sabemos que por volta das 17 semanas, início do 5° mês, o bebé já tem as suas funções gastrointestinais e renais suficientemente maduras para receber alimentos além do leite.


Mas será que isso é suficiente?


É consensual, pelas várias entidades de saúde (OMS, ESGHAN, NHS, DGS …) que um bebé saudável pode e deve manter a alimentação láctea exclusiva – seja leite materno ou fórmula infantil – até aos primeiros 6 meses. Um bebé, quanto mais próximo dos 6 meses, mais capacidades terá para poder começar a Introdução Alimentar de forma segura – é necessário que haja uma maturação neurológica e motora que permita ao bebé ter as competências necessárias para mastigar e deglutir com segurança com os alimentos, é por isso que é tão importante que os alimentos sejam adequados à idade, com a consistência correta e apropriadas ao desenvolvimento do bebé.



Quais são os sinais de prontidão para iniciar a diversificação alimentar e como os detetamos?


  • Ter 6 meses (ou próximo)

  • Ser capaz de sentar, com apoio, numa cadeira de alimentação, mantendo um bom controlo do pescoço e cabeça

  • Ter um bom controlo mão-olho e é capaz de levar alimentos à boca de forma autónoma

  • Ter o reflexo de extrusão lingual diminuído (por volta dos 6 meses, o bebé tende a empurrar com a língua com os alimentos para fora da boca com menor frequência, se estiver pronto para começar a comer, mesmo que ainda tenha esse reflexo, o bebé consegue engolir com facilidade)

  • Demonstrar interesse na comida dos adultos



Existe uma ordem para a introdução de novos alimentos? Se sim, qual?


Este é um dos maiores mitos quando falamos em Introdução Alimentar. Para a maioria dos bebés, e na ausência de alergias alimentares ou outras patologias, não é necessário termos uma certa ordem na oferta de alimentos. Contudo, recomendo sempre que se deve evitar a oferta de alergénios na primeira semana, isto porque o bebé no inicio está a experimentar algo novo, começa a adquirir um comportamento característico durante as refeições (esfregar a comida na cara - e ficar vermelho da pressão, tocar na boca e fazer expressões diferentes) e os pais começam também a reconhecer esse comportamento e qualquer manifestação pode ser encarada como uma reação alérgica e condicionar toda a introdução alimentar (e causar medo e ansiedade).


A diversificação alimentar deve ser diferente para bebés alimentados por fórmula infantil ou leite materno?


Não. A própria ESPGHAN (Sociedade Europeia de Gastroenterologia Pediátrica Hepatologia e Nutrição) defende que não devem ser feitas recomendações alimentares diferentes com base no tipo de leite do bebé.


A alimentação da mãe durante a gravidez/amamentação influencia a introdução alimentar na criança?


Sem dúvida! Até na preconceção a nutrição tem um impacto importante. Estudos recentes mostram que uma alimentação saudável durante a pré-conceção e gravidez proporciona ao bebé (e ao futuro adulto!) um favorável desenvolvimento cerebral, imunológico e metabólico, prevenindo o aparecimento de doenças crónicas com impacto durante toda a sua vida.


Os alimentos “para bebés” são mais adequados para o bebé do que os restantes?


Na sua maioria, não. Normalmente são produtos com ingredientes a evitar nesta fase (como o açúcar) e os pais devem tentar ao máximo estarem atentos aos rótulos antes de comprarem qualquer produto direcionado (ou não!) para bebés.


Há algo mais que queiras acrescentar sobre este tema?


Fico muito feliz por ver esta área crescer (da nutrição pediátrica). Era algo que até há poucos anos não se ouvia falar e que agora, cada vez mais, se dá mais importância. Esperemos que seja o inicio de muitas mudanças.


Obrigada, Ana Rita!


Comida que podia comer para o resto da vida: Pão com manteiga, conta?


Livro favorito: Não consigo escolher entre “Mulherzinhas” e “Orgulho e Preconceito” – percebe-se que nasci na época errada?


Viagem de sonho: São Tomé e Príncipe


O sonho que ainda falta concretizar: Ser mãe.


Hábito ou mania que ninguém compreende: Colocar sempre perfume antes de uma apresentação importante (mesmo que seja online).


Se quiserem conhecer melhor a Ana Rita, sigam-na em @gentedepalmomeia.

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