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Conversas P'ra Mesa com Carolina Carvalho Alves

Vamos falar sobre Gestão de Comportamento Alimentar em Consulta


Quem é a Carolina?

Sou a Carolina Carvalho Alves, licenciada em Ciências da Nutrição e encontro-me neste momento a realizar a tese de mestrado em Doenças Metabólicas e Comportamento Alimentar.

A par disso também estou a trabalhar no âmbito da Nutrição Clínica em várias clínicas de contexto privado na zona do Porto.

 



 

Sendo a consulta de Comportamento Alimentar algo com grande impacto no bem-estar do paciente, o que considera ser essencial no profissional que faz este tipo de acompanhamento?

Como nutricionista especializada em Comportamento Alimentar considero que alguns aspetos são essenciais para garantir um acompanhamento eficaz e promover o bem-estar do paciente:


A Empatia e Escuta Ativa: É fundamental que o profissional seja capaz de se colocar no lugar do paciente e compreender e ouvir as suas preocupações, receios, dificuldades e necessidades. Uma Escuta Ativa e sem julgamento e crítica é crucial para estabelecer uma relação terapêutica de confiança e colaboração.


Ter Conhecimento sobre a psicopatologia das Doenças do Comportamento Alimentar: Costumo dizer “Quem só sabe de Nutrição nem de Nutrição sabe”. Claro que é fundamental estar por dentro da área, conhecer os diferentes diagnósticos e a psicopatologia de cada doença, contudo como referi primeiramente a Empatia e a Escuta Ativa com o paciente são cruciais para o sucesso do tratamento. Podemos ter muito conhecimento e diferenciação numa determinada área, mas se não conseguirmos chegar até ao paciente não conseguimos alcançar o sucesso terapêutico.


Fornecer uma Abordagem individualizada: O profissional deve ser capaz de compreender o paciente que tem à frente e as suas necessidades e adaptar diferentes estratégias de intervenção de acordo com as características individuais de cada paciente. Na minha ótica deve fornecer ao paciente estratégias práticas, exequíveis, realistas e adaptáveis à rotina do mesmo, facilitando a sua implementação e manutenção a longo prazo.


Desta forma estaremos a contribuir significativamente para o bem-estar e qualidade de vida dos nossos pacientes.

 

 

 

O que são Doenças de Comportamento Alimentar? E quando é que uma pessoa deve procurar acompanhamento nutricional nesse sentido?


As Doenças do Comportamento Alimentar são condições que envolvem uma relação disfuncional com a alimentação e o corpo. Não se limitam apenas à forma como a pessoa se alimenta, mas também estão ligadas às questões psicológicas, emocionais e sociais em torno da alimentação.


Uma pessoa deve procurar acompanhamento nutricional quando estão presentes sinais de desequilíbrio alimentar, ou seja, comportamentos extremos em relação à comida (pesagens de alimentos, contagem de calorias), preocupação excessiva com o peso e/ou forma corporal, padrões alimentares disfuncionais (comer em excesso ou restrição severa). Com o avançar da doença podem estar já evidentes sinais físicos adversos do padrão alimentar atual, como a desnutrição, desidratação, problemas gastrointestinais, ausência de menstruação e/ou sinais de impacto negativo na qualidade de vida e bem-estar emocional.


O acompanhamento nutricional é essencial no tratamento destas doenças porque visa não só restaurar a saúde física e corrigir eventuais défices nutricionais, como também promover uma relação saudável e equilibrada com a comida.

 



De forma resumida, como podemos distinguir Comportamento Alimentar Perturbado de Perturbações do Comportamento Alimentar?


O Comportamento Alimentar Perturbado caracteriza-se por um padrão alimentar que se desvia da normalidade, mas não cumpre os critérios de diagnóstico para uma Doença do Comportamento Alimentar. Este padrão alimentar perturbado inclui dietas restritivas, evicção de alimentos, períodos de jejum, entre outros e a grande diferença é que ocorre com menor frequência e menor gravidade.


As Doenças do Comportamento Alimentar já são perturbações persistentes no padrão alimentar, na quantidade e na natureza do alimento que afeta, de forma significativamente negativa, a saúde física e mental.  São consideradas doenças do foro psiquiátrico.

 

 


Como vê a necessidade da elaboração de um plano alimentar em consultas de nutrição?


Confesso que tenho uma opinião distinta em relação a este tema, mas acima de tudo é estudar caso a caso.


Em geral, na minha prática clínica, sinto que um plano alimentar aos olhos da maioria das pessoas é: “Estou em dieta”; “Vou iniciar agora a dieta”; “Não posso quebrar a dieta”; “Vou colar no frigorífico para não me esquecer de cumprir”.


Na minha ótica profissional, o meu principal objetivo com os meus pacientes é criar hábitos e rotinas saudáveis que sejam exequíveis, fazíveis e prolongados no tempo. Prende-se muito com a criação de uma rotina alimentar, algo que fique enraizado no quotidiano do paciente sem que isso lhe retire o prazer, a felicidade e o convívio em torno da alimentação. Com a elaboração de um plano alimentar ainda há muito o estigma da dieta e da restrição e as pessoas associam o plano alimentar a algo temporário, na qual cumprem determinadas regras impostas durante um curto período com o foco na perda de peso e, no final desse seguimento, retomam a alimentação que faziam antes.


Consciente que cada caso é um caso e da importância que a elaboração de planos alimentares têm, nomeadamente em contextos mais específicos de doença, considero que o mais importante é saber adequar e compreendermos a pessoa que temos a frente no nosso consultório.

 



De que forma, a consulta de nutrição pode ser feita em conjunto com o cliente?


A consulta de nutrição pode e deve sempre ser feita em conjunto com o cliente. O envolvimento do cliente durante o aconselhamento alimentar é fundamental para que possamos trabalhar em conjunto, delinear objetivos, potenciar o estado nutricional e ir ao encontro das expectativas e interesses do mesmo. Acima de tudo é importante que o cliente se envolva na consulta de nutrição, que partilhe as suas preocupações, os seus receios e a sua rotina alimentar para que possamos adaptar todo o nosso trabalho tendo sempre em conta os interesses, preferências e o estilo de vida do mesmo.




Um episódio de compulsão alimentar isolado, é caso para diagnóstico de doença de comportamento alimentar?


Não. Um caso isolado de compulsão alimentar não é suficiente para diagnosticar com uma Doença do Comportamento Alimentar. Como referi anteriormente estas doenças caracterizam-se por padrões alimentares persistentes e recorrentes de comportamento alimentar disfuncional.

Neste caso da compulsão alimentar, para ser diagnosticado como Perturbação da Ingestão Alimentar Compulsiva teria de ocorrer pelo menos uma vez por semana durante três meses.


Um caso isolado pode ser apenas isso mesmo, um caso isolado. No entanto, pode ser um sinal de alerta para o risco de vir a desenvolver uma Doença do Comportamento Alimentar.




Qual o maior desafio para o nutricionista ao trabalhar estes temas?


Um dos maiores desafios para o Nutricionista ao trabalhar com temas relacionados com o comportamento alimentar é a complexidade das questões emocionais e psicológicas envolvidas.


Muitas vezes, os padrões alimentares disfuncionais estão enraizados em questões como autoestima, imagem corporal, ansiedade, depressão e até transtornos de saúde mental mais graves.


A abordagem nutricional nestas situações vai muito para além da simples prescrição de planos alimentares. Enquanto Nutricionistas precisamos de desenvolver habilidades de comunicação empática, compreensão para trabalharmos em conjunto com o paciente e conseguirmos alcançar a tal relação terapêutica.


Para além disso e não menos importante é a questão do trabalho em equipa multidisciplinar. Isto é uma parte crucial para conseguirmos alcançar o sucesso do tratamento. Um profissional a trabalhar de forma isolada é muito difícil, para não dizer quase impossível, atingir a remissão da doença. Têm obrigatoriamente de ser um trabalho em conjunto com diferentes áreas profissionais como Psicólogos, Psiquiatras, Nutricionistas e Médicos para conseguir oferecer um tratamento abrangente e integrado no paciente com Doença do Comportamento Alimentar.



Obrigada, Carolina!



Comida que podia comer para o resto da vida: massa e lasanha.


Livro favorito: só gosto de ler livros relacionados com as áreas da saúde, mais concretamente Nutrição.


Viagem de sonho: Hawaii


Sonho que ainda falta concretizar: Construir uma família.


Hábito ou mania que ninguém compreende: adormecer a fazer festinhas na cabeça a alguém.


Se quiserem conhecer melhor a Carolina, sigam-na em @nutricionista.carolinacalves






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